sábado, 21 de setembro de 2013

Recebo três pingos grossos nas costas, recolho meus livros e me protejo. A melodia fina entorna meia dúzia de versos pelo chão. Me sinto asmático, embora os broncodilatadores sejam eficazes. É um hiato, me disseram um tempo atrás, mas tenho a cada dia mais certeza que não. Com essa não tão bela mania de caetanear os dizeres, me expando praquilo que sempre fui: esbanjo projetos acerca de um futuro sem futuro, absorvendo alguns ideais sem projeção alguma. Vivo o hoje, enquanto me aborda do modo que me convém. Me encanta aos poucos, narcisando minhas palavras aqui, expelindo cds acolá. Invade meu refúgio, incontestavelmente. Invade minhas crônicas fingindo brincar com fogo, se apossando de vocábulos alheios, fingindo ser ora lenha, ora isqueiro. Estranhas saudades, irracionais construções de diálogos futuros. Se transfigura de lua, procura alternativas pras demais retóricas e inventa, como quem quer nada, um equinócio pros demais encontros. Me envolve de afeto e não se põe em qualquer gesto de recusa. Luta, se apossando da coragem emprestada pela vida, inflando com a negação, virando maré. Não se recolha, repouse sobre a esperança, se apegue às expectativas não-racionais. Revigore frustrações e desague em qualquer nascente. Nascendo.

Um comentário:

Isabel disse...

Sentia falta dessas frases.