Sou a síntese de tudo o que não gostaria de ser. Talvez, um dos meus maiores erros foi esse: não traçar metas concretas, não crias espectativas realistas, entrar no conto de fadas que fui convidado. Meu erro foi me entregar, afinar, entortar, encurvar. Se eu não traísse meus princípios não estaria desesperado, frustrado. Preciso viver de novo, dividir futilidades. Exergar a realidade não é o bastante para te tirar da minha cabeça. Saber dos fatos não abastece minha fúria. Estou calmo demais para quem sofre. Tenho que gritar, sair de mim. Meu corpo merecia ser oco. Sei que você não se importa mais comigo e nem quer mais ouvir minha voz. Sua independência sempre me matou. Estou morrendo por dia: todo aquele amor crescido diariamente está decrescendo a cada vez que tomo uma bolinha de chumbinho. Uma vez ou outra ainda como umas gramas de vidro ralado para curar a saudade que me cega; essa maldita saudade que só existe em português, que extermina meu ego, que me mostra o chão. O desperdício da vida está no amor que damos e sentimos, que me desculpe Chaplin. Quando amamos vivemos num mundo paralelo, longe da realidade. Quero para sempre o mesmo chão que piso agora, só que sem dor - mesmo sabendo que é utopia. Fui bom demais para sofrer. Sou bom demais pra sofrer. A dor é injusta. O amor é injusto. A vida é injusta. Lamentar sempre será o meu ofício.
Guilherme Quintanilha