segunda-feira, 25 de abril de 2016

Róseo, tento lembra da cor do seu rosto quando disse que me amava, róseo acho, meio solar, aquela casa era solar, e a gente não precisava de sol, tinha a cor do seu rosto, o branco do teu olho iluminando tudo, e a gente não precisava de mais claridade; via cinza pela janela e cor no jornal de casa, estendido no chão, enquanto te via pintar a parede, se sujar de mim, adornar nosso entorno e tudo aquilo era suficiente e fazia sentido, mesmo quando inclinava a iluminação do teu rosto na direção do meu olho e eu o apertava, mas não o fechava completamente, porque eu não queria perder um minuto sequer daquela felicidade, apertava o olho e deixava uma fresta, pra que você tivesse em mim de alguma forma, ocupando meu campo de visão, cobrindo a concavidade do meu olho convexo e toda essa merda de ciência que tenta racionalizar todas as cores, vermelho-sangue, azul-marinho, e de que não adiantava tanto estudo, teu olhar castanho-sem-referência era o que me interessava, teu sorriso, teu andar, teu olho torto, só isso importa.